FONTE ORIGINAL PRESERVADA

DJEN TJRS — Diário de Justiça Eletrônico Nacional (CNJ)

Processo nº 5005168-13.2024.8.21.0060
sigla tribunal:TJRS
tipo comunicacao:Intimação
nome orgao:Vara Judicial da Comarca de Nova Petrópolis
nome classe:PROCEDIMENTO COMUM CíVEL
tipo documento:DESPACHO/DECISÃO
data disponibilizacao:14/04/2026
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Integridade verificável
Capturado em:25/04/2026, 20:46
Texto e hash não foram modificados após a captura. Diário oficial é dado público (Lei 12.527/2011 LAI · art. 8º Lei 9.610/1998).

Texto íntegra

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<section><b>PROCEDIMENTO COMUM C&Iacute;VEL  N&ordm; 5005168-13.2024.8.21.0060/RS</b></section>
<section><b><table><tr><td>AUTOR</td><td>: DANIEL AMARAL BERNDT</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: LAIR PEREIRA MARTINS (OAB RS031269)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: ARNO SCHMIDT (OAB RS079068)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: LARICE CAROLINA PEREIRA MARTINS (OAB RS129363)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: CAROLINA FRITSCH POHL (OAB RS106504)</td></tr><tr><td>AUTOR</td><td>: OSEIAS DO AMARAL BERNDT</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: LAIR PEREIRA MARTINS (OAB RS031269)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: ARNO SCHMIDT (OAB RS079068)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: LARICE CAROLINA PEREIRA MARTINS (OAB RS129363)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: CAROLINA FRITSCH POHL (OAB RS106504)</td></tr><tr><td>R&Eacute;U</td><td>: COOPERATIVA AGRO PECUARIA PETROPOLIS LTDA</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: KELLY COMIN (OAB RS095456)</td></tr></table></b></section>
<section>
				<p align="center">DESPACHO/DECIS&Atilde;O</p>
			</section>
<section>
<p>Vistos.</p>
<p>Trata-se de Embargos de Declara&ccedil;&atilde;o opostos por COOPERATIVA AGROPECU&Aacute;RIA PETR&Oacute;POLIS LTDA. (Evento 63) contra a senten&ccedil;a proferida (Evento 56), que julgou parcialmente procedente o pedido inicial para condenar a embargante ao pagamento de R$ 110.188,10 (cento e dez mil, cento e oitenta e oito reais e dez centavos).</p>
<p>Houve impugna&ccedil;&atilde;o pela parte autora.</p>
<p>DECIDO.</p>
<p>Conhe&ccedil;o dos presentes Embargos de Declara&ccedil;&atilde;o, porquanto tempestivos e pr&oacute;prios para os fins a que se destinam, no tocante &agrave; busca de esclarecimentos e integra&ccedil;&atilde;o da decis&atilde;o, embora sem que lhes seja atribu&iacute;do, neste momento, efeito infringente.</p>
<p>No que tange &agrave; alegada omiss&atilde;o sobre a "confiss&atilde;o judicial" dos autores quanto &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o de associados, cumpre esclarecer que a senten&ccedil;a analisou a quest&atilde;o do v&iacute;nculo associativo e concluiu pela aus&ecirc;ncia de prova de tal condi&ccedil;&atilde;o por parte da cooperativa r&eacute;. A manifesta&ccedil;&atilde;o dos autores na r&eacute;plica, ao concordarem com as amortiza&ccedil;&otilde;es e dedu&ccedil;&otilde;es sobre o valor do d&eacute;bito, foi interpretada como uma aceita&ccedil;&atilde;o dos valores l&iacute;quidos devidos na rela&ccedil;&atilde;o j&aacute; qualificada como compra e venda, e n&atilde;o como uma admiss&atilde;o formal e espont&acirc;nea de v&iacute;nculo cooperativo ou associativo que pudesse alterar a natureza jur&iacute;dica da opera&ccedil;&atilde;o ou o &ocirc;nus da prova. A senten&ccedil;a foi clara ao pontuar que o &ocirc;nus de comprovar a qualidade de associado dos autores era da r&eacute;, por se tratar de fato impeditivo do direito autoral, nos termos do artigo 373, inciso II, do C&oacute;digo de Processo Civil, &ocirc;nus do qual a demandada n&atilde;o se desincumbiu. Assim, a decis&atilde;o n&atilde;o restou omissa, mas expressa e fundamentada na an&aacute;lise probat&oacute;ria realizada.</p>
<p>Quanto &agrave; suposta contradi&ccedil;&atilde;o ou erro de fato decorrente da valora&ccedil;&atilde;o das notas fiscais e do CFOP 1.135, a senten&ccedil;a considerou as notas fiscais como elementos robustos para demonstrar a exist&ecirc;ncia da transa&ccedil;&atilde;o, a entrega do produto e o valor correspondente devido aos produtores. A refer&ecirc;ncia ao CFOP 1.135, que de fato sugere uma opera&ccedil;&atilde;o de ato cooperativo, foi analisada em conjunto com a tese defensiva da r&eacute;. A decis&atilde;o, contudo, ponderou que, ainda que o CFOP possa indicar uma modalidade de opera&ccedil;&atilde;o fiscal, ele, por si s&oacute;, n&atilde;o &eacute; suficiente para descaracterizar a rela&ccedil;&atilde;o como compra e venda ou para afastar a obriga&ccedil;&atilde;o de pagamento em pec&uacute;nia. A aus&ecirc;ncia de comprova&ccedil;&atilde;o formal do v&iacute;nculo associativo dos autores, como exigido para a configura&ccedil;&atilde;o plena do ato cooperativo que pudesse afastar a compra e venda, foi o ponto nodal. A senten&ccedil;a consignou que a pr&oacute;pria nota fiscal, emitida pela r&eacute;, especificava "valor l&iacute;quido a receber", o que refor&ccedil;a a exist&ecirc;ncia de uma contrapresta&ccedil;&atilde;o financeira, independentemente da classifica&ccedil;&atilde;o fiscal. Portanto, a senten&ccedil;a n&atilde;o incorreu em contradi&ccedil;&atilde;o, mas em uma an&aacute;lise sopesada dos elementos probat&oacute;rios, conferindo &agrave; subst&acirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o preval&ecirc;ncia sobre a mera nomenclatura fiscal diante da falta de outros elementos essenciais &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o de ato cooperativo.</p>
<p>Por fim, no que concerne &agrave; alegada obscuridade da fundamenta&ccedil;&atilde;o que se baseia em "in&uacute;meros outros processos em tramita&ccedil;&atilde;o", a senten&ccedil;a utilizou tal men&ccedil;&atilde;o como um refor&ccedil;o argumentativo, contextualizando a pr&aacute;tica comercial da r&eacute;. O prop&oacute;sito foi demonstrar que o tratamento dispensado aos autores n&atilde;o se afastava de um padr&atilde;o de remunera&ccedil;&atilde;o em dinheiro, corroborando a natureza de compra e venda e a obriga&ccedil;&atilde;o de pagamento em pec&uacute;nia. Embora a formula&ccedil;&atilde;o pudesse ser mais precisa, a <em>ratio decidendi</em> principal permaneceu na an&aacute;lise das provas contidas nos autos &ndash; as notas fiscais e a aus&ecirc;ncia de prova de v&iacute;nculo associativo &ndash; e n&atilde;o na mera refer&ecirc;ncia a processos externos. A decis&atilde;o est&aacute;, portanto, fundamentada nos elementos intr&iacute;nsecos do presente processo, e a men&ccedil;&atilde;o a outros casos serviu apenas como elemento de contexto, sem constituir o pilar central da fundamenta&ccedil;&atilde;o para a condena&ccedil;&atilde;o. Deste modo, n&atilde;o h&aacute; obscuridade capaz de invalidar o julgado, tampouco viola&ccedil;&atilde;o ao contradit&oacute;rio, uma vez que a ess&ecirc;ncia da decis&atilde;o se sustenta em argumentos extra&iacute;dos da pr&oacute;pria instru&ccedil;&atilde;o processual.</p>
<p>Desse modo, acolho os Embargos de Declara&ccedil;&atilde;o para prestar os esclarecimentos acima, sem, contudo, atribuir-lhes efeitos infringentes, e reafirmo a obriga&ccedil;&atilde;o de pagamento reconhecida na senten&ccedil;a.</p>
<p>Intimem-se.</p>
<p>Dilig&ecirc;ncias legais.</p></section>
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<p>&nbsp;</p>
<hr>
<p>&nbsp;</p></section>
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