FONTE ORIGINAL PRESERVADA

DJEN TJTO — Diário de Justiça Eletrônico Nacional (CNJ)

Processo nº 5000045-42.2008.8.27.2739
sigla tribunal:TJTO
tipo comunicacao:Intimação
nome orgao:1ª Escrivania Cível de Novo Acordo
nome classe:USUCAPIãO
tipo documento:Sentença
data disponibilizacao:17/11/2025
Conferir no portal oficial
Integridade verificável
Capturado em:22/10/2026, 16:57
Nomes com pedido de remoção do titular foram substituídos neste texto; por isso o hash do original não é exibido (ele permitiria confirmar o nome removido). Diário oficial é dado público (Lei 12.527/2011 LAI · art. 8º Lei 9.610/1998).

Texto íntegra

49 KB
<html>
	<head>
		<meta>
		
		<style></style>
	</head>
	<body>
		<article>





<header>
				<div></div> 
				 
				 
				 
				 															
			</header>
<section><b>Usucapi&atilde;o  N&ordm; 5000045-42.2008.8.27.2739/TO</b></section>
<section><b><table><tr><td>AUTOR</td><td>: CELSO JOSE ALEXANDRE</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: UBIRAJARA CARDOSO VIEIRA (OAB TO006468)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: M&Aacute;RCIO ALVES RODRIGUES (OAB TO005203)</td></tr><tr><td>AUTOR</td><td>: ANA ADELAIDE ALEXANDRE</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: UBIRAJARA CARDOSO VIEIRA (OAB TO006468)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: M&Aacute;RCIO ALVES RODRIGUES (OAB TO005203)</td></tr><tr><td>R&Eacute;U</td><td>: SEBASTI&Atilde;O ANTONIO DINIZ NOGUEIRA</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: ANTONIO CARLOS CARDOSO PONTES (OAB TO008831)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: DIVINO JOS&Eacute; RIBEIRO (OAB TO00121B)</td></tr><tr><td>INTERESSADO</td><td>: EMSA EMPRESA SUL AMERICANA DE MONTAGENS S A</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: HENRIQUE DUARTE ALVES FORTES</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: JOS&Eacute; HUMBERTO BRUNO</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: MARCUS VINICIUS LABRE LEMOS DE FREITAS</td></tr><tr><td>INTERESSADO</td><td>: MARCELLO MARINHO COSTA</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: ANDRES CATON KOPPER DELGADO</td></tr><tr><td>INTERESSADO</td><td>: RITA CAMPOS DE LIMA COSTA</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: GILSIMAR CURSINO BECKMAN</td></tr></table></b></section>
<section>
				<p align="center">SENTEN&Ccedil;A</p>
			</section>
<section>
<p><span></span></p>
<p><strong>SENTEN&Ccedil;A APLIC&Aacute;VEL AOS AUTOS N&ordm; 5000081-84.2008.8.27.2739, 5000456-46.2012.8.27.2739, 5000080-02.2008.8.27.2739 e 5000045-42.2008.8.27.2739.</strong></p>
<p>I.I. RELAT&Oacute;RIO DOS AUTOS N&ordm; 50000818420088272739</p>
<p><strong>Tipo de usucapi&atilde;o:</strong>&nbsp;Usucapi&atilde;o Extraordin&aacute;ria Qualificada (fundamentada no art. 1.238, par&aacute;grafo &uacute;nico, do C&oacute;digo Civil).</p>
<p><strong>Im&oacute;vel total ou parcial:</strong>&nbsp;Parcial. A &aacute;rea pretendida &eacute; de 384,5372 hectares, a ser desmembrada de uma &aacute;rea maior de 822,9000 hectares.</p>
<p><strong>Lote/gleba/loteamento/munic&iacute;pio:</strong>&nbsp;Fra&ccedil;&atilde;o do Lote 01, Gleba 11, do Loteamento Rio Perdida, situado no munic&iacute;pio de Lizarda/TO.</p>
<p><strong>Matr&iacute;cula/data da certid&atilde;o:</strong>&nbsp;Matr&iacute;cula n&ordm; 64, do Cart&oacute;rio de Registro de Im&oacute;veis da Comarca de Tocant&iacute;nia/TO (que abrangia a regi&atilde;o &agrave; &eacute;poca). A certid&atilde;o de inteiro teor juntada aos autos foi emitida em 02 de julho de 2007 (localizada no&nbsp;<strong>Evento 1, ANEXOS PET INI2, p. 8</strong>).</p>
<p><strong>Delimita&ccedil;&atilde;o georreferenciada da &aacute;rea pelo autor:</strong>&nbsp;Sim, a &aacute;rea foi delimitada por meio de Memorial Descritivo e Planta Georreferenciada (localizados no&nbsp;<strong>Evento 1, ANEXOS PET INI2, p. 4-7</strong>).</p>
<p><strong>Art, Rtt ou Trt do profissional assinada:</strong>&nbsp;Os documentos t&eacute;cnicos (memorial descritivo e planta) foram assinados pelo Engenheiro Agr&ocirc;nomo Carlos Alberto de Oliveira, CREA 6232/BA (conforme&nbsp;<strong>Evento 1, ANEXOS PET INI2, p. 5 e 7</strong>).</p>
<p><strong>Alega&ccedil;&atilde;o de justo t&iacute;tulo?</strong>&nbsp;N&atilde;o. A a&ccedil;&atilde;o se fundamenta na usucapi&atilde;o extraordin&aacute;ria, que prescinde de justo t&iacute;tulo e boa-f&eacute;.</p>
<p><strong>Alega&ccedil;&atilde;o de sucess&atilde;o de posses?</strong>&nbsp;Sim. Os autores somam sua posse &agrave; de seus antecessores para atingir o lapso temporal legal.</p>
<p><strong>Posseiros anteriores:</strong></p>
<ul><li>&Aacute;LVARO ALVES (CPF: ***.***.***-**)</li><li>DEUSIMAR CERQUEIRA VOGADO (CPF: ***.***.***-**)</li></ul>
<p><strong>Documentos de cess&atilde;o:</strong>&nbsp;<strong>Evento 1, ANEXOS PET INI2, p. 9-11</strong>. Incluem o "Contrato Particular de Transfer&ecirc;ncia de Direitos" de &Aacute;lvaro para Selso, a "Cess&atilde;o de Direito de Im&oacute;vel Rural" de Deusimar para &Aacute;lvaro, e uma "Declara&ccedil;&atilde;o" de Deusimar sobre o in&iacute;cio de sua posse.</p>
<p><strong>Prazo da posse alegada pelo autor:</strong>&nbsp;Aproximadamente 28 anos, somando a posse de Deusimar Cerqueira Vogado (iniciada por volta de 1980), a de &Aacute;lvaro Alves (a partir de 2002) e a dos pr&oacute;prios autores (a partir de 2006 at&eacute; a propositura da a&ccedil;&atilde;o em 2008).</p>
<p><strong>A&ccedil;&otilde;es possess&oacute;rias/petit&oacute;rias envolvendo o autor:</strong> N&atilde;o.</p>
<p><strong>Gratuidade da justi&ccedil;a solicitada/deferida:</strong>&nbsp;O benef&iacute;cio foi deferido por decis&atilde;o do Tribunal de Justi&ccedil;a do Tocantins (<strong>Evento 1, DESP6, p. 9-10</strong>).</p>
<p><strong>CONTESTA&Ccedil;&Atilde;O:</strong></p>
<p><strong>Preliminares:</strong><br>&mdash; N&atilde;o foram arguidas quest&otilde;es preliminares na contesta&ccedil;&atilde;o apresentada pela r&eacute; EMSA &ndash; EMPRESA SUL AMERICANA DE MONTAGENS S.A. (<strong>Evento 1, CONT8</strong>).</p>
<p><strong>M&eacute;rito:</strong><br>&mdash; A r&eacute; alega ser a leg&iacute;tima propriet&aacute;ria e possuidora da &aacute;rea, afirmando que sempre manteve a regularidade fiscal do im&oacute;vel, o que afastaria a alega&ccedil;&atilde;o de abandono.<br>&mdash; Impugna o exerc&iacute;cio da posse pelos autores e seus antecessores, sustentando que os documentos de cess&atilde;o s&atilde;o fr&aacute;geis e foram utilizados de forma fraudulenta em pelo menos outras tr&ecirc;s a&ccedil;&otilde;es de usucapi&atilde;o, caracterizando litig&acirc;ncia de m&aacute;-f&eacute;.<br>&mdash; Argumenta a aus&ecirc;ncia de&nbsp;<em>animus domini</em>, pois os autores n&atilde;o comprovaram a posse qualificada para moradia ou a realiza&ccedil;&atilde;o de obras de car&aacute;ter produtivo, afirmando que os envolvidos residem em &aacute;reas urbanas e n&atilde;o na propriedade rural.<br>&mdash; Sustenta que o &ocirc;nus da prova dos fatos constitutivos do direito (posse, lapso temporal e&nbsp;<em>animus domini</em>) &eacute; dos autores, e que estes n&atilde;o se desincumbiram de tal &ocirc;nus, n&atilde;o havendo nos autos provas robustas que confirmem as alega&ccedil;&otilde;es da inicial.</p>
<p><strong>Gratuidade da justi&ccedil;a solicitada/deferida:</strong><br>&mdash; A empresa r&eacute;, EMSA &ndash; EMPRESA SUL AMERICANA DE MONTAGENS S.A., n&atilde;o solicitou os benef&iacute;cios da gratuidade da justi&ccedil;a.</p>
<p>R&eacute;plica apresentada ao evento 1, anexo 14.</p>
<p>Processo saneado ao evento 102, oportunidade na qual, entre outras coisas, determinou-se a realiza&ccedil;&atilde;o de prova pericial (evento 102).</p>
<p>Superados os entraves de praxe, foi realizada a prova pericial, cujo laudo foi juntado ao evento 218.</p>
<p>Realizada audi&ecirc;ncia de instru&ccedil;&atilde;o e julgamento no evento 252.</p>
<p>As partes apresentaram suas alega&ccedil;&otilde;es finais, na forma de memoriais (eventos 257 e 263.</p>
<p><strong>I.II. RELAT&Oacute;RIO DOS AUTOS N&ordm; 50004564620128272739.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </strong></p>
<p><strong>Tipo de usucapi&atilde;o:</strong>&nbsp;Usucapi&atilde;o Extraordin&aacute;ria Qualificada (art. 1.238, par&aacute;grafo &uacute;nico, do C&oacute;digo Civil).</p>
<p><strong>Im&oacute;vel total ou parcial:</strong>&nbsp;Parcial (fra&ccedil;&atilde;o de 523,4461 ha de uma &aacute;rea maior com 1.162,7826 ha).</p>
<p><strong>Lote/gleba/loteamento/munic&iacute;pio:</strong>&nbsp;Lote 06, do Loteamento Fazenda Alcov&iacute;ades, Gleba 2 &ndash; 1.&ordf; Etapa, Munic&iacute;pio de Lizarda/TO.</p>
<p><strong>Matr&iacute;cula/data da certid&atilde;o:</strong>&nbsp;Matr&iacute;cula n.&ordm; 507, do Cart&oacute;rio de Registro de Im&oacute;veis de Lizarda/TO. A certid&atilde;o de inteiro teor foi emitida em 30 de abril de 2008 (evento 1, ANEXO2, pp. 7-10).</p>
<p><strong>Delimita&ccedil;&atilde;o georreferenciada da &aacute;rea pelo autor:</strong>&nbsp;Sim, apresentados Planta e Memorial Descritivo (evento 1, ANEXO2, pp. 3-6).</p>
<p><strong>Art, Rtt ou Trt do profissional assinada:</strong>&nbsp;Sim, os documentos t&eacute;cnicos foram assinados pelo Engenheiro Agr&ocirc;nomo Carlos Alberto de Oliveira, CREA 6252-VISTO-BA (evento 1, ANEXO2, pp. 4 e 6).</p>
<p><strong>Alega&ccedil;&atilde;o de justo t&iacute;tulo?</strong>&nbsp;N&atilde;o. A modalidade de usucapi&atilde;o arguida dispensa a apresenta&ccedil;&atilde;o de justo t&iacute;tulo.</p>
<p><strong>Alega&ccedil;&atilde;o de sucess&atilde;o de posses?</strong>&nbsp;Sim, os autores somam sua posse &agrave; de seus antecessores.</p>
<p><strong>Posseiros anteriores:</strong></p>
<ul><li>Alvaro Alves, CPF ***.***.***-**.</li><li>Deusimar Cerqueira Vogado, CPF ***.***.***-**.</li></ul>
<p><strong>Documentos de cess&atilde;o:</strong>&nbsp;evento 1, ANEXO2, pp. 11-12.</p>
<p><strong>Prazo da posse alegada pelo autor:</strong>&nbsp;Aproximadamente 28 anos na data da propositura da a&ccedil;&atilde;o (desde 1980, somando as posses).</p>
<p><strong>A&ccedil;&otilde;es possess&oacute;rias/petit&oacute;rias envolvendo o autor: </strong>n&atilde;o.</p>
<p><strong>Gratuidade da justi&ccedil;a solicitada/deferida:</strong>&nbsp; sim.</p>
<p><strong>CONTESTA&Ccedil;&Atilde;O (evento 22):</strong></p>
<p><strong>Preliminares:</strong><br>&mdash; N&atilde;o arguidas.</p>
<p><strong>M&eacute;rito:</strong><br>&mdash; Invalidade dos documentos de cess&atilde;o de posse por v&iacute;cio de forma, aus&ecirc;ncia de individualiza&ccedil;&atilde;o do bem e falta de requisitos formais, o que impediria a soma das posses.<br>&mdash; Aus&ecirc;ncia de comprova&ccedil;&atilde;o do lapso temporal e do&nbsp;<em>animus domini</em>&nbsp;necess&aacute;rios para a configura&ccedil;&atilde;o da usucapi&atilde;o.<br>&mdash; Nega&ccedil;&atilde;o do abandono do im&oacute;vel pelo propriet&aacute;rio e da posse produtiva pelos autores, a qual seria meramente especulativa.</p>
<p><strong>Gratuidade da justi&ccedil;a solicitada/deferida:</strong>&nbsp;N&atilde;o solicitada pelo r&eacute;u.</p>
<p>R&eacute;plica apresentada ao evento 26.</p>
<p>Processo saneado ao evento 107), oportunidade na qual, entre outras coisas, determinou-se a realiza&ccedil;&atilde;o de prova pericial.</p>
<p>Superados os entraves de praxe, foi realizada a prova pericial, cujo laudo foi juntado ao evento 250.</p>
<p>Realizada audi&ecirc;ncia de instru&ccedil;&atilde;o e julgamento (evento 296).</p>
<p>As partes apresentaram alega&ccedil;&otilde;es finais, na forma de memoriais (eventos 300,&nbsp; 308 e 320).</p>
<p>II.III. RELAT&Oacute;RIO DOS AUTOS N&ordm; 50000800220088272739</p>
<ul><li><strong>Tipo de usucapi&atilde;o:</strong>&nbsp;Usucapi&atilde;o Extraordin&aacute;ria Qualificada (art. 1.238, par&aacute;grafo &uacute;nico, do C&oacute;digo Civil).</li><li><strong>Im&oacute;vel total ou parcial:</strong>&nbsp;Parcial (fra&ccedil;&atilde;o de 164,4862 hectares de um im&oacute;vel maior com 847,88 hectares).</li><li><strong>Lote/gleba/loteamento/munic&iacute;pio:</strong>&nbsp;Lote 05, Gleba 11, Loteamento Rio Perdida, Munic&iacute;pio de Lizarda/TO.</li><li><strong>Matr&iacute;cula/data da certid&atilde;o:</strong>&nbsp;Matr&iacute;cula n.&ordm; 64 do CRI de Lizarda/TO. A certid&atilde;o juntada &eacute; de 04 de julho de 2007 (Evento 1, ANEXOS PET INI2, p. 24).</li><li><strong>Delimita&ccedil;&atilde;o georreferenciada da &aacute;rea pelo autor:</strong>&nbsp;Sim, foram apresentados memorial descritivo e planta do im&oacute;vel (Evento 1, ANEXOS PET INI2, p. 21 e 23).</li><li><strong>Art, Rtt ou Trt do profissional assinada:</strong>&nbsp;ART n.&ordm;/Visto 6252/BA, em nome do Eng. Agr&ocirc;nomo Carlos Alberto de Oliveira (Evento 1, ANEXOS PET INI2, p. 21).</li><li><strong>Alega&ccedil;&atilde;o de justo t&iacute;tulo?</strong>&nbsp;N&atilde;o.</li><li><strong>Alega&ccedil;&atilde;o de sucess&atilde;o de posses?</strong>&nbsp;Sim.</li><li><strong>Posseiros anteriores:</strong><ul><li>Alvaro Alves (CPF ***.***.***-**)</li><li>Deusimar Cerqueira Vogado (CPF ***.***.***-**)</li></ul></li><li><strong>Documentos de cess&atilde;o:</strong>&nbsp;Evento 1, ANEXOS PET INI2, p. 25-26.</li><li><strong>Prazo da posse alegada pelo autor:</strong>&nbsp;Aproximadamente 28 anos (soma da posse iniciada em 1980 com a dos sucessores at&eacute; a propositura da a&ccedil;&atilde;o em 2008).</li><li><strong>A&ccedil;&otilde;es possess&oacute;rias/petit&oacute;rias envolvendo o autor:</strong>&nbsp;N&atilde;o.</li><li><strong>Gratuidade da justi&ccedil;a solicitada/deferida:</strong>&nbsp;Solicitada e deferida em sede de Agravo de Instrumento (n&ordm; 9236/09), conforme Ac&oacute;rd&atilde;o juntado no Evento 1, DESP5, p. 47-48.</li></ul>
<p><strong>CONTESTA&Ccedil;&Atilde;O (PARA O SANEAMENTO E SENTEN&Ccedil;A)</strong></p>
<ul><li><strong>Preliminares:</strong><ul><li>Conex&atilde;o, com pedido de reuni&atilde;o e julgamento conjunto desta a&ccedil;&atilde;o com os processos n.&ordm; 2008.0008.1006-8, 2011.0009.8957-2 e 2008.0008.1005-0, em raz&atilde;o da utiliza&ccedil;&atilde;o dos mesmos documentos de cess&atilde;o de posse e para evitar decis&otilde;es conflitantes.</li></ul></li><li><strong>M&eacute;rito:</strong><ul><li>Impugna&ccedil;&atilde;o da posse alegada, afirmando que a r&eacute; &eacute; a propriet&aacute;ria e possuidora do im&oacute;vel desde 1977.</li><li>Inexist&ecirc;ncia de prova do fato constitutivo do direito dos autores, especialmente a aus&ecirc;ncia de comprova&ccedil;&atilde;o do&nbsp;<em>animus domini</em>&nbsp;e do efetivo exerc&iacute;cio da posse qualificada (moradia e produ&ccedil;&atilde;o).</li><li>Inidoneidade e imprestabilidade dos documentos de cess&atilde;o de posse, por serem gen&eacute;ricos e supostamente utilizados de forma fraudulenta em m&uacute;ltiplas a&ccedil;&otilde;es.</li><li>Alega&ccedil;&atilde;o de litig&acirc;ncia de m&aacute;-f&eacute;.</li></ul></li><li><strong>Gratuidade da justi&ccedil;a solicitada/deferida:</strong>&nbsp;N&atilde;o solicitada.</li></ul>
<p>R&eacute;plica apresentada pelo autor ao evento 1, anexo 12.</p>
<p>Superada a fase de cita&ccedil;&otilde;es, o processo foi saneado ao evento 93.</p>
<p>Laudo pericial apresentado ao evento 200.</p>
<p>Realizada audi&ecirc;ncia de instru&ccedil;&atilde;o e julgamento (evento 232).</p>
<p>As partes apresentaram suas alega&ccedil;&otilde;es finais na forma de memoriais (eventos 238 e 244).</p>
<p><strong>I.IV. RELAT&Oacute;RIO DOS AUTOS N&ordm; 50000454220088272739</strong></p>
<ul><li><strong>Tipo de usucapi&atilde;o:</strong>&nbsp;Usucapi&atilde;o Extraordin&aacute;ria (com base nos arts. 1.238 e 1.243 do C&oacute;digo Civil).</li><li><strong>Im&oacute;vel total ou parcial:</strong>&nbsp;Parcial (&aacute;rea de 346,4086 hectares dentro de uma &aacute;rea maior de 2.509,3332 hectares).</li><li><strong>Lote/gleba/loteamento/munic&iacute;pio</strong>:&nbsp;Lote 04, do Loteamento Fazenda Alcov&iacute;ades, Gleba 02, 1&ordf; Etapa, Munic&iacute;pio de Lizarda/TO.</li><li><strong>Matr&iacute;cula/data da certid&atilde;o:</strong>&nbsp;Matr&iacute;cula n&ordm; 109, do Livro 2-A, fls. 109, do Cart&oacute;rio de Registro de Im&oacute;veis de Lizarda/TO. A certid&atilde;o de inteiro teor anexada &eacute; datada de 06 de junho de 2008 (Evento 1, INIC1, pp. 21-25).</li><li><strong>Delimita&ccedil;&atilde;o georreferenciada da &aacute;rea pelo autor</strong>:&nbsp;Sim, foram apresentados Planta e Memorial Descritivo (Evento 1, INIC1, pp. 18-20).</li><li><strong>Art, Rtt ou Trt do profissional assinada:</strong>&nbsp;Sim, Anota&ccedil;&atilde;o de Responsabilidade T&eacute;cnica (ART) assinada pelo Engenheiro Agr&ocirc;nomo Carlos Alberto de Oliveira, CREA 6252-VIST. BA (Evento 1, INIC1, p. 20).</li><li><strong>Alega&ccedil;&atilde;o de justo t&iacute;tulo?</strong>&nbsp;N&atilde;o.</li><li><strong>Alega&ccedil;&atilde;o de sucess&atilde;o de posses?</strong>&nbsp;Sim.</li><li><strong>Posseiros anteriores:</strong><ul><li>Alvaro Alves (CPF ***.***.***-**).</li><li>Deusimar Cerqueira Vogado (CPF ***.***.***-**).</li></ul></li><li><strong>Documentos de cess&atilde;o:</strong><ul><li>Contrato Particular de Transfer&ecirc;ncia de Direitos de Alvaro Alves para os autores (Evento 1, INIC1, p. 26).</li><li>Cess&atilde;o de Direito de Im&oacute;vel Rural de Deusimar Cerqueira Vogado para Alvaro Alves (Evento 1, INIC1, p. 27).</li></ul></li><li><strong>Prazo da posse alegada pelo autor:</strong>&nbsp;Posse pr&oacute;pria desde 06 de outubro de 2006, somada &agrave; de seus antecessores, que remontaria ao ano de 1980.</li><li><strong>A&ccedil;&otilde;es possess&oacute;rias/petit&oacute;rias envolvendo o autor: </strong>n&atilde;o, para al&eacute;m das postas em julgamento.</li><li>Gratuidade da justi&ccedil;a solicitada/deferida:&nbsp;Solicitada na peti&ccedil;&atilde;o inicial (Evento 1, INIC1, p. 13). O benef&iacute;cio foi deferido em sede de Agravo de Instrumento (Evento 1, PET3, pp. 5-11 e Ac&oacute;rd&atilde;o pp. 51-52).</li></ul>
<p>CONTESTA&Ccedil;&Atilde;O - SEBASTI&Atilde;O ANT&Ocirc;NIO DINIZ NOGUEIRA (Evento 1, CONT4)</p>
<ul><li>Preliminares:<ul><li>Impossibilidade jur&iacute;dica do pedido, por supostamente a &aacute;rea pretendida ultrapassar o limite estabelecido na Lei n&ordm; 6.969/81.</li><li>Car&ecirc;ncia de a&ccedil;&atilde;o por falta de pressupostos processuais, alegando que o pedido demanda interpreta&ccedil;&atilde;o extensiva, o que seria vedado (art. 293 do CPC/73).</li></ul></li><li>M&eacute;rito:<ul><li>Nega o exerc&iacute;cio de posse com&nbsp;<em>animus domini</em>&nbsp;pelos autores, afirmando que estes residem em Goian&aacute;polis/GO e nunca moraram no im&oacute;vel.</li><li>Afirma que nunca abandonou o im&oacute;vel, exercendo seus direitos de propriet&aacute;rio, inclusive com o recolhimento anual do ITR sobre a &aacute;rea total (Evento 1, CONT4, pp. 12-26).</li></ul></li><li>Gratuidade da justi&ccedil;a solicitada/deferida:&nbsp;N&atilde;o solicitada.</li></ul>
<p>CONTESTA&Ccedil;&Atilde;O - EMSA - EMPRESA SUL AMERICANA DE MONTAGENS S.A. (Evento 1, CONT6)</p>
<ul><li>Preliminares:<ul><li>N&atilde;o foram arguidas formalmente.</li></ul></li><li>M&eacute;rito:<ul><li>Aduz que &eacute; confrontante da &aacute;rea e que a posse dos autores &eacute; desconhecida na regi&atilde;o.</li><li>Sustenta que os autores litigam de m&aacute;-f&eacute;, utilizando-se de documentos fr&aacute;geis em m&uacute;ltiplas a&ccedil;&otilde;es judiciais para tentar usurpar terras.</li><li>Impugna o memorial descritivo apresentado pelos autores, alegando ser mentiroso.</li></ul></li><li>Gratuidade da justi&ccedil;a solicitada/deferida:&nbsp;N&atilde;o solicitada.</li></ul>
<p>O confrontante Marcelo Marinho apresentou contesta&ccedil;&atilde;o ao evento 94, reiterando os termos da defesa j&aacute; relatada.</p>
<p>R&eacute;plica ao evento 99.</p>
<p>Processo saneado ao evento 150.</p>
<p>Apresentado o laudo pericial no evento 263.</p>
<p>Realizada audi&ecirc;ncia de instru&ccedil;&atilde;o e julgamento (evento 319).</p>
<p>As partes apresentaram suas alega&ccedil;&otilde;es finais na forma de memoriais (eventos 325 e 332).</p>
<p><strong>&Eacute; O RELAT&Oacute;RIO, DECIDO.</strong></p>
<p><strong>II. FUNDAMENTA&Ccedil;&Atilde;O</strong></p>
<p>Trata-se de quatro a&ccedil;&otilde;es de usucapi&atilde;o extraordin&aacute;ria, conexas e ora julgadas em conjunto, por meio das quais os autores, CELSO JOS&Eacute; ALEXANDRE e <span>ANA ADELAIDE ALEXANDRE</span>, pretendem a declara&ccedil;&atilde;o de dom&iacute;nio sobre fra&ccedil;&otilde;es de quatro im&oacute;veis rurais distintos, pertencentes aos r&eacute;us EMSA EMPRESA SUL AMERICANA DE MONTAGENS S.A., SEBASTI&Atilde;O ANT&Ocirc;NIO DINIZ NOGUEIRA e <span>MARCELLO MARINHO COSTA</span>, totalizando uma pretens&atilde;o de&nbsp;<strong>1.418,88 hectares</strong>.</p>
<p>A quest&atilde;o central a ser dirimida por este ju&iacute;zo consiste em verificar o preenchimento dos requisitos legais para a aquisi&ccedil;&atilde;o da propriedade pela usucapi&atilde;o, modalidade de prescri&ccedil;&atilde;o aquisitiva que exige prova inequ&iacute;voca da posse qualificada.</p>
<p>O ordenamento jur&iacute;dico p&aacute;trio, por meio do artigo <em>1.238 do C&oacute;digo Civil</em>, estabelece que adquirir&aacute; a propriedade do im&oacute;vel aquele que, por quinze anos, sem interrup&ccedil;&atilde;o, nem oposi&ccedil;&atilde;o, o possuir como seu. Por sua vez, o par&aacute;grafo &uacute;nico do mesmo dispositivo legal reduz este prazo para dez anos, caso o possuidor tenha estabelecido no im&oacute;vel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou servi&ccedil;os de car&aacute;ter produtivo. <em>In verbis:</em></p>
<p><em>Art. 1.238. Aquele que, por quinze anos, sem interrup&ccedil;&atilde;o, nem oposi&ccedil;&atilde;o, possuir como seu um im&oacute;vel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de t&iacute;tulo e boa-f&eacute;; podendo requerer ao juiz que assim o declare por senten&ccedil;a, a qual servir&aacute; de t&iacute;tulo para o registro no Cart&oacute;rio de Registro de Im&oacute;veis.</em></p>
<p><em>Par&aacute;grafo &uacute;nico. O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-&aacute; a dez anos se o possuidor houver estabelecido no im&oacute;vel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou servi&ccedil;os de car&aacute;ter produtivo.</em></p>
<p>Para a configura&ccedil;&atilde;o da usucapi&atilde;o extraordin&aacute;ria, exige-se tamb&eacute;m a prova de posse qualificada (<em>ad usucapionem</em>), ou seja, cont&iacute;nua, pac&iacute;fica e com&nbsp;<em>animus domini</em>. No caso em tela, os autores demonstraram a exist&ecirc;ncia de todos os pressupostos.</p>
<p>Para a configura&ccedil;&atilde;o da usucapi&atilde;o extraordin&aacute;ria, exige-se a prova de posse qualificada (<em>ad usucapionem</em>), ou seja, cont&iacute;nua, pac&iacute;fica e com&nbsp;<em>animus domini</em>. Na li&ccedil;&atilde;o de Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery:</p>
<p>&ldquo;A usucapi&atilde;o extraordin&aacute;ria ocorre pelo s&oacute; fato da posse, preenchidos os demais requisitos da norma sob coment&aacute;rio (posse ad usucapionem). Decorrido o prazo o possuidor adquire a propriedade, extinguindo-se o dom&iacute;nio do anterior propriet&aacute;rio, bem como todos os direitos reais que eventualmente haja constitu&iacute;do sob o im&oacute;vel.&rdquo; (C&oacute;digo Civil Comentado. 7&ordf; ed., RT, 2009, p. 953)</p>
<p>Pois bem;</p>
<p>A tese autoral, em todas as quatro demandas, repousa sobre um &uacute;nico e mesmo pilar: o instituto da&nbsp;<em>accessio possessionis</em>, previsto no art. 1.243 do C&oacute;digo Civil. Alegam os demandantes que sua posse, <strong>iniciada em 06 de outubro de 2006</strong>, deve ser somada &agrave; de seus antecessores, &Aacute;lvaro Alves (que a teria adquirido em 2002) e Deusimar Cerqueira Vogado (cujo exerc&iacute;cio possess&oacute;rio, segundo alegam, remontaria ao ano de 1980). Com essa soma, pretendem demonstrar o cumprimento do requisito temporal.</p>
<p>Contudo, a an&aacute;lise aprofundada do conjunto f&aacute;tico-probat&oacute;rio revela uma constru&ccedil;&atilde;o argumentativa fr&aacute;gil, que n&atilde;o resiste a um escrut&iacute;nio minimamente rigoroso, desvelando um quadro de profunda inconsist&ecirc;ncia, sen&atilde;o vejamos:</p>
<p><strong>- Da Insufici&ecirc;ncia Probat&oacute;ria da Cadeia Possess&oacute;ria e a Desconstitui&ccedil;&atilde;o do Lapso Temporal</strong></p>
<p>O primeiro e mais fulcral ponto de colapso da pretens&atilde;o autoral reside na <strong>absoluta aus&ecirc;ncia de provas robustas acerca da posse de seus supostos antecessores.</strong> A totalidade da prova que visa a demonstrar a posse de Deusimar desde 1980 e de &Aacute;lvaro desde 2002 <strong><u>resume-se aos contratos particulares de cess&atilde;o de direitos e a uma declara&ccedil;&atilde;o unilateral do primeiro possuidor.</u></strong></p>
<p>Tais documentos, por sua natureza, provam a exist&ecirc;ncia de um neg&oacute;cio jur&iacute;dico entre as partes, mas s&atilde;o manifestamente insuficientes para comprovar o fato jur&iacute;dico da posse qualificada &ndash; o poder f&iacute;sico e an&iacute;mico sobre a coisa. A jurisprud&ecirc;ncia, em un&iacute;ssono, exige que a posse, especialmente para fins de soma, seja demonstrada por atos materiais, concretos e vis&iacute;veis, n&atilde;o por meros instrumentos negociais que, <strong>como se sabe, podem ser produzidos a qualquer tempo para simular situa&ccedil;&otilde;es f&aacute;ticas jamais ocorridas.</strong></p>
<p>Nesta exata linha de racioc&iacute;nio, cito o recente precedente jurisprudencial:</p>
<p>RECURSO DE APELA&Ccedil;&Atilde;O &ndash; A&Ccedil;&Atilde;O DE USUCAPI&Atilde;O EXTRAORDIN&Aacute;RIA &ndash; SENTEN&Ccedil;A DE IMPROCED&Ecirc;NCIA &ndash; APELO DA REQUERENTE PRELIMINARMENTE &ndash; GRATUIDADE JUDICI&Aacute;RIA &ndash; AUS&Ecirc;NCIA DE INTERESSE RECURSAL &ndash; DECIS&Atilde;O EM PRIMEIRO GRAU QUE DEFERIU EXPRESSAMENTE A BENESSE &Agrave; AUTORA &ndash; EFEITOS DA CONCESS&Atilde;O QUE SE ESTENDEM POR TODO O CURSO PROCESSUAL AT&Eacute; DECIS&Atilde;O FINAL &ndash; SUSPENS&Atilde;O DE EXIGIBILIDADE DAS VERBAS DE SUCUMB&Ecirc;NCIA &ndash; RECURSO N&Atilde;O CONHECIDO QUANTO AO PONTOM&Eacute;RITO &ndash; ALEGA&Ccedil;&Atilde;O DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS NECESS&Aacute;RIOS &Agrave; AQUISI&Ccedil;&Atilde;O DO DOM&Iacute;NIO POR MEIO DA USUCAPI&Atilde;O ORDIN&Aacute;RIA &ndash; REJEITADA &ndash; <strong>AUS&Ecirc;NCIA DE PROVA ROBUSTA ACERCA DO EFETIVO EXERC&Iacute;CIO DE POSSE QUALIFICADA E APTA A ENSEJAR A AQUISI&Ccedil;&Atilde;O DA PROPRIEDADE POR MEIO DA USUCAPI&Atilde;O &ndash; N&Atilde;O COMPROVA&Ccedil;&Atilde;O DE EFETIVA OCUPA&Ccedil;&Atilde;O PELO ANTECESSOR DA REQUERENTE DURANTE O PER&Iacute;ODO APONTADO PARA FINS DE RECONHECIMENTO DA PRESCRI&Ccedil;&Atilde;O AQUISITIVA</strong> &ndash; <strong>N&Atilde;O ESPECIFICA&Ccedil;&Atilde;O DE QUALQUER ATIVIDADE DE CAR&Aacute;TER PRODUTIVO QUE TENHA SIDO REALIZADA NO TERRENO ANTES DA OCUPA&Ccedil;&Atilde;O DA REQUERENTE &ndash; <u>MERA CESS&Atilde;O DE DIREITOS POSSESS&Oacute;RIOS QUE, DIANTE DAS PECULIARIDADES PRESENTES NA SITUA&Ccedil;&Atilde;O F&Aacute;TICA EXPOSTA, SE MOSTRA INSUFICIENTE PARA CONSTATA&Ccedil;&Atilde;O DA POSSE AD USUCAPIONEM PELO LAPSO TEMPORAL NECESS&Aacute;RIO</u> </strong>&ndash; ATOS DE OCUPA&Ccedil;&Atilde;O E RELA&Ccedil;&Atilde;O DIRETA DO POSSUIDOR COM O IM&Oacute;VEL QUE POSSUEM MAIOR RELEV&Acirc;NCIA EM RELA&Ccedil;&Atilde;O AO V&Iacute;NCULO MANTIDO JUNTO AOS ANTECESSORES &ndash; POSICIONAMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTI&Ccedil;A &ndash; DEPOIMENTOS O DAS TESTEMUNHAS QUE N&Atilde;O S&Atilde;O CORROBORADOS PELAS DEMAIS PROVAS TRAZIDAS AOS AUTOS &ndash; DOCUMENTOS JUNTADOS PELA AUTORA QUE APONTAM IN&Iacute;CIO DE OCUPA&Ccedil;&Atilde;O SOMENTE NO ANO DE 2015, POUCOS MESES ANTES DA PROPOSITURA DA A&Ccedil;&Atilde;O &ndash; REQUISITOS DA USUCAPI&Atilde;O N&Atilde;O PREENCHIDOS &ndash; SENTEN&Ccedil;A MANTIDA &ndash; RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESTA EXTENS&Atilde;O, DESPROVIDO (TJPR - 18&ordf; C. C&iacute;vel - 0005178-27.2015.8 .16.0116 - Matinhos - Rel.: DESEMBARGADORA DENISE KRUGER PEREIRA - J. 31 .01.2022)</p>
<p>(TJ-PR - APL: 00051782720158160116 Matinhos 0005178-27.2015.8 .16.0116 (Ac&oacute;rd&atilde;o), Relator.: Denise Kruger Pereira, Data de Julgamento: 31/01/2022, 18&ordf; C&acirc;mara C&iacute;vel, Data de Publica&ccedil;&atilde;o: 01/02/2022)</p>
<p>Nesse ponto, a prova pericial, produzida sob o crivo do contradit&oacute;rio (Evento 218 dos autos principais e laudos correspondentes nos demais feitos), assume um papel desconstituir &nbsp;a tese inicial. O expert, valendo-se de an&aacute;lise multitemporal de imagens de sat&eacute;lite, foi categ&oacute;rico ao afirmar que&nbsp;<strong>os primeiros sinais de ocupa&ccedil;&atilde;o humana e interven&ccedil;&atilde;o antr&oacute;pica na &aacute;rea somente surgiram no ano de 2003</strong>. A imagem de 1999, anterior &agrave; suposta posse de &Aacute;lvaro, n&atilde;o revela qualquer vest&iacute;gio de ocupa&ccedil;&atilde;o:</p>
<p></p>
<p>[...]</p>
<p></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Esta constata&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, dotada de presun&ccedil;&atilde;o de veracidade e imparcialidade, desmente de forma cabal a alega&ccedil;&atilde;o de posse desde 1980. A prova cient&iacute;fica se sobrep&otilde;e &agrave; prova documental particular, esvaziando por completo a pretens&atilde;o de somar uma posse que, faticamente, n&atilde;o existiu no per&iacute;odo alegado. Assim, a&nbsp;<em>accessio possessionis</em>&nbsp;invocada &eacute; in&oacute;cua, e o marco inicial da posse, na mais ben&eacute;fica das hip&oacute;teses para os autores, deve ser fixado em 2003.</p>
<p>&Eacute; de se pontuar, ainda, que para al&eacute;m dos contratos de cess&atilde;o, inexistem nos autos quaisquer provas (documentais ou mesmo testemunhais) que confirme o exerc&iacute;cio de posse efetiva dos supostos antecessores.</p>
<p>Fixado este marco, a an&aacute;lise do requisito temporal prossegue. <strong><u>Os autores ajuizaram as primeiras a&ccedil;&otilde;es em 2008, quando sua posse pr&oacute;pria era de menos de dois anos</u></strong>. Mesmo que se considerasse,&nbsp;<em>ad argumentandum tantum</em>, a posse de seu antecessor desde 2003, <u>o prazo total at&eacute; o ajuizamento seria de apenas cinco anos, muito aqu&eacute;m dos dez anos exigidos pela usucapi&atilde;o extraordin&aacute;ria qualificada.</u></p>
<p><strong>- A Interrup&atilde;o do Prazo da Prescri&ccedil;&atilde;o Aquisitiva:</strong></p>
<p>Apenas para que n&atilde;o se suscite qualquer omiss&atilde;o, manifesto-me de plano quanto &agrave; possibilidade de aplica&ccedil;&atilde;o da tese da usucapi&atilde;o intercorrente, ou seja, <strong>a possibilidade de completar o prazo no curso da demanda</strong>; Embora tal tese seja admitida em abstrato pela jurisprud&ecirc;ncia do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a, sua aplica&ccedil;&atilde;o no caso concreto &eacute; invi&aacute;vel. A posse&nbsp;<em>ad usucapionem</em>&nbsp;deve ser mansa e pac&iacute;fica.</p>
<p>A a&ccedil;&atilde;o de usucapi&atilde;o &eacute; o meio processual adequado ao possuidor que se encontra na posse mansa e pac&iacute;fica de bem im&oacute;vel, pelo lapso temporal previsto em lei, obter a declara&ccedil;&atilde;o de dom&iacute;nio. Entretanto, n&atilde;o &eacute; qualquer posse que induz a usucapi&atilde;o, devendo-se perquirir a exist&ecirc;ncia da posse ad usucapionem, ou seja, cont&iacute;nua e incontestada, pelo tempo determinado. (STJ - REsp: 1948445, Relator.: Ministro RICARDO VILLAS B&Ocirc;AS CUEVA, Data de Publica&ccedil;&atilde;o: Data da Publica&ccedil;&atilde;o DJ 28/06/2024)</p>
<p>&Eacute; plenamente poss&iacute;vel o reconhecimento da prescri&ccedil;&atilde;o aquisitiva quando o prazo exigido por lei se exauriu no curso da a&ccedil;&atilde;o de usucapi&atilde;o, por for&ccedil;a do art. 462 do CPC, que privilegia o estado atual em que se encontram as coisas, evitando-se provimento judicial de proced&ecirc;ncia quando j&aacute; pereceu o direito do autor ou de improced&ecirc;ncia quando o direito pleiteado na inicial, delineado pela causa petendi narrada, &eacute; refor&ccedil;ado por fatos supervenientes.7. Recurso especial conhecido e provido" (REsp n&ordm; 1.720.288/RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 26/5/2020, DJe de 29/5/2020).</p>
<p>Interpretando tais entendimentos, compreende-se que o prazo para a usucapi&atilde;o (prescri&ccedil;&atilde;o aquisitiva) pode ser completado no curso do processo, em conformidade com o disposto art. 493 do CPC/2015<strong>, enquanto tal posse se mantenha pac&iacute;fica e inconteste.</strong> A partir do momento que o propriet&aacute;rio se op&otilde;e f&aacute;tica ou judicialmente &agrave; posse, esta deixa de ser mansa e pac&iacute;fica, deixando de ser qualificada para fins de usucapi&atilde;o.</p>
<p>N&atilde;o coaduno com alguns recentes julgados que consideram que <em>&ldquo;A interrup&ccedil;&atilde;o do prazo da prescri&ccedil;&atilde;o aquisitiva somente poderia ocorrer na hip&oacute;tese em que o propriet&aacute;rio do im&oacute;vel usucapiendo conseguisse reaver a posse para si </em>&ldquo;.&nbsp;</p>
<p>Uma porque, considerando que n&atilde;o poderia o propriet&aacute;rio se utilizar de viol&ecirc;ncia para reaver sua posse, sua &uacute;nica forma de agir seria judicial, e a demora ocasionada pelo Poder Judici&aacute;rio traria preju&iacute;zos unicamente para o propriet&aacute;rio, tornando uma op&ccedil;&atilde;o a retomada for&ccedil;ada e a viol&ecirc;ncia. Ora, se o tr&acirc;mite judicial lhe traz preju&iacute;zos, a &uacute;nica op&ccedil;&atilde;o seria a viol&ecirc;ncia!</p>
<p>Em segundo lugar, a posse &eacute; cont&iacute;nua e inconteste enquanto n&atilde;o impugnada, e isso &eacute; exatamente o que se faz atrav&eacute;s da contesta&ccedil;&atilde;o, ou pela cita&ccedil;&atilde;o em demandas possess&oacute;rias, petit&oacute;rias ou notifica&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o seria justo ou proporcional que a prescri&ccedil;&atilde;o aquisitiva somente se interrompesse quando&nbsp; o propriet&aacute;rio tivesse de volta a posse, posto que &eacute; ilegal que aja com suas pr&oacute;prias m&atilde;os. Logo, n&atilde;o pode ser prejudicado pelo tempo de tr&acirc;mite de seus pedidos ao Poder Judici&aacute;rio.&nbsp;</p>
<p><strong><em>No caso dos autos,</em></strong> &nbsp;a apresenta&ccedil;&atilde;o das contesta&ccedil;&otilde;es pelos propriet&aacute;rios registrais, que se opuseram firme e inequivocamente &agrave; pretens&atilde;o autoral, a pacificidade da posse foi rompida. A litigiosidade instaurada interrompe a contagem do prazo para a prescri&ccedil;&atilde;o aquisitiva. Tendo os r&eacute;us contestado as a&ccedil;&otilde;es logo ap&oacute;s suas cita&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o h&aacute; como considerar o transcurso do tempo durante a longa tramita&ccedil;&atilde;o processual para fins de preenchimento do requisito temporal.</p>
<p>Portanto, sob qualquer &acirc;ngulo que se analise, os autores n&atilde;o detinham o lapso temporal necess&aacute;rio quando do ajuizamento das a&ccedil;&otilde;es, tampouco o completaram de forma mansa e pac&iacute;fica no curso do processo.</p>
<p><strong>- Da Aus&ecirc;ncia de&nbsp;<em>Animus Domini</em>&nbsp;e do Desvio de Finalidade do Instituto da Usucapi&atilde;o</strong></p>
<p>Se a aus&ecirc;ncia do requisito temporal j&aacute; seria, por si s&oacute;, suficiente para a improced&ecirc;ncia dos pedidos, a an&aacute;lise do elemento subjetivo da posse, o&nbsp;<em>animus domini</em>, revela a faceta mais grave da conduta autoral.</p>
<p>O&nbsp;<em>animus domini</em>&nbsp;n&atilde;o &eacute; a mera vontade de possuir, mas a exterioriza&ccedil;&atilde;o de um comportamento de dono, a pr&aacute;tica de atos que somente o propriet&aacute;rio praticaria, visando &agrave; explora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e &agrave; destina&ccedil;&atilde;o social do bem.</p>
<p>No caso dos autos, o depoimento pessoal do autor Celso Jos&eacute; Alexandre, colhido em audi&ecirc;ncia (Evento 252), &eacute; uma pe&ccedil;a de confiss&atilde;o que fulmina sua pr&oacute;pria tese. <strong>Ao ser questionado, o autor afirmou, em s&iacute;ntese, que logo ap&oacute;s "comprar a posse", contratou advogados e ingressou com as a&ccedil;&otilde;es "para ver se os r&eacute;us lhe procuravam, apresentando alguma proposta de acordo". </strong>Vejamos (evento 252 e demais correspondentes):</p>
<p><em>Celso afirmou que quando comprou, existiam tr&ecirc;s ou quatro casas, que &Aacute;lvaro derrubou, sobrando apenas um rancho. Celso inicialmente morava no rancho pequeno e ruim l&aacute; no rio. No come&ccedil;o, em 2006, ele se dividia entre cuidar de sua posse e morar na fazenda do filho ("vis&atilde;o"), com um vaqueiro ajudando na vis&atilde;o.</em></p>
<p><em>Ele foi morar <strong>definitivamente</strong> na fazenda que est&aacute; em usucapi&atilde;o em <strong>2013</strong>, quando construiu uma nova casa para puxar energia, pois o rancho antigo n&atilde;o era adequado.</em></p>
<p><strong><em>Celso afirmou que entrou com a a&ccedil;&atilde;o de usucapi&atilde;o para obter um direito e para que os propriet&aacute;rios o procurassem para resolver a situa&ccedil;&atilde;o, pois ele n&atilde;o sabia quem eles eram.</em></strong></p>
<p><strong><em>O conflito, de fato, se intensificou nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s ou quatro anos. Celso alega que nunca foi procurado pelos propriet&aacute;rios (Sebasti&atilde;o, Marcelo ou Enza), nem antes, nem depois da a&ccedil;&atilde;o de usucapi&atilde;o.</em></strong></p>
<p>Tal declara&ccedil;&atilde;o &eacute; a ant&iacute;tese do&nbsp;<em>animus domini</em>. Ela demonstra que o autor <strong>n&atilde;o via a terra como sua, n&atilde;o a ocupava com o intuito de nela consolidar sua morada e seu sustento, mas sim como um ativo para especula&ccedil;&atilde;o</strong>. O ajuizamento das a&ccedil;&otilde;es n&atilde;o foi o ato de quem busca o reconhecimento de um direito j&aacute; consolidado pela posse longeva, mas uma manobra estrat&eacute;gica para for&ccedil;ar os leg&iacute;timos propriet&aacute;rios a uma negocia&ccedil;&atilde;o. A usucapi&atilde;o foi utilizada n&atilde;o como instrumento de concretiza&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o social da propriedade, mas como mecanismo de coa&ccedil;&atilde;o e potencial enriquecimento il&iacute;cito.</p>
<p>Essa aus&ecirc;ncia de &acirc;nimo de dono &eacute; corroborada pela falta de outras provas. N&atilde;o h&aacute; uma &uacute;nica testemunha que ateste a posse dos autores ou de seus antecessores. O laudo pericial, <strong>embora constate a exist&ecirc;ncia de benfeitorias, n&atilde;o pode, por sua natureza, afirmar quem as realizou</strong>. N&atilde;o h&aacute; prova de que a fam&iacute;lia do autor vive da terra ou que dela retira seu sustento, o que esvazia o argumento da fun&ccedil;&atilde;o social.</p>
<p>Soma-se a tudo isso um conjunto de inconsist&ecirc;ncias e irregularidades que, contextualizadas &agrave; todo o exposto, desaguam em ind&iacute;cios de m&aacute;-f&eacute; e desvirtua&ccedil;&atilde;o da natureza da a&ccedil;&atilde;o:</p>
<p><strong>&Eacute; latente a discrep&acirc;ncia entre as &aacute;reas descritas nos documentos de cess&atilde;o e as &aacute;reas efetivamente pleiteadas e georreferenciadas</strong>. A t&iacute;tulo de exemplo, no processo n&ordm; 5000045-42.2008.8.27.2739, a cess&atilde;o de direitos de Deusimar para &Aacute;lvaro menciona uma &aacute;rea de "50 alqueires" (aproximadamente 242 hectares), mas a pretens&atilde;o de usucapi&atilde;o &eacute; sobre uma fra&ccedil;&atilde;o de 346,40 hectares. A &aacute;rea total que Celso reivindica hoje &eacute; de <strong>1590 hectares</strong>, embora ele tenha comprado apenas 130 alqueires, que equivalem a cerca de <strong>630 hectares</strong>.</p>
<p>A justificativa do autor de que a compra foi "informal" e que s&oacute; depois descobriu que a &aacute;rea era maior n&atilde;o possui qualquer credibilidade. <strong>A diferen&ccedil;a &eacute; colossal e denota uma tentativa dolosa de super ampliar a &aacute;rea,</strong> buscando usucapir muito al&eacute;m do que constava no pr&oacute;prio neg&oacute;cio jur&iacute;dico que alega ter dado origem &agrave; sua posse. Tal conduta se assemelha perigosamente &agrave; pr&aacute;tica de grilagem de terras.</p>
<p><strong>- Da Prova Emprestada e da Cess&atilde;o de Direitos a Terceiro: A Confirma&ccedil;&atilde;o do&nbsp;<em>Modus Operandi</em>&nbsp;e a Impossibilidade L&oacute;gica da Posse</strong></p>
<p>Como se n&atilde;o bastassem todos os fundamentos j&aacute; exaustivamente expostos, que por si s&oacute;s conduzem &agrave; inelut&aacute;vel improced&ecirc;ncia dos pleitos, uma prova documental oriunda de processo conexo (Processo n&ordm; 5000230-75.2011.8.27.2739), que tramitou nesta comarca, j&aacute; julgada.</p>
<p>Refiro-me &agrave; A&ccedil;&atilde;o de Usucapi&atilde;o ajuizada por&nbsp;<strong>Edison Pereira Chaves Coelho</strong>, julgada procedente, na qual foi utilizada como esteio da posse a&nbsp;<strong>exata mesma cadeia sucess&oacute;ria</strong>&nbsp;aqui invocada pelos autores: a posse que teria se iniciado com Deusimar Cerqueira Vogado, passado a &Aacute;lvaro Alves e, posteriormente, a&nbsp;<strong>Celso Jos&eacute; Alexandre</strong>.</p>
<p>Ocorre que, naquele feito, consta um documento de valor probat&oacute;rio absoluto e que desmascara o&nbsp;<em>modus operandi</em>&nbsp;aqui empregado: o&nbsp;<strong>"Contrato Particular de Transfer&ecirc;ncia de Direitos e Obriga&ccedil;&otilde;es Exercidos Sobre Im&oacute;vel Rural", datado de 15 de setembro de 2008</strong>, por meio do qual o autor&nbsp;<strong>CELSO JOS&Eacute; ALEXANDRE</strong>&nbsp;vendeu e transferiu a integralidade dos direitos possess&oacute;rios que detinha sobre aquela &aacute;rea para o Sr. Edison (conforme Evento 1, ANEXOS PET INI2, p. 5 e 20, do Processo n&ordm; 5000230-75.2011.8.27.2739).</p>
<p>A exist&ecirc;ncia deste contrato &eacute; a prova inequ&iacute;voca de que o autor Celso tratou a posse, que alega ser o fundamento de seu direito &agrave; moradia e sustento, como mera mercadoria. Ele monetizou e se desfez da heran&ccedil;a possess&oacute;ria que agora, de forma contradit&oacute;ria e logicamente imposs&iacute;vel, tenta invocar como fundamento para adquirir outras quatro &aacute;reas. <strong>Ningu&eacute;m pode, ao mesmo tempo, ser titular de um direito e t&ecirc;-lo alienado a terceiro. </strong>Ao vender a posse para Edison, o autor abdicou de sua condi&ccedil;&atilde;o de sucessor de &Aacute;lvaro e Deusimar, esgotando os efeitos jur&iacute;dicos daquela cadeia possess&oacute;ria em seu favor.</p>
<p>Mais grave ainda &eacute; a an&aacute;lise cronol&oacute;gica dos fatos. O autor protocolou as primeiras a&ccedil;&otilde;es de usucapi&atilde;o objeto deste julgamento em&nbsp;<strong>agosto e setembro de 2008</strong>. A venda da posse para o Sr. Edison ocorreu em&nbsp;<strong>15 de setembro de 2008</strong>. Isso demonstra que, no exato mesmo per&iacute;odo em que pleiteava em ju&iacute;zo o reconhecimento de uma posse qualificada pela fun&ccedil;&atilde;o social em quatro im&oacute;veis, o autor negociava e vendia a posse de uma quinta &aacute;rea, que possu&iacute;a a mesm&iacute;ssima origem.</p>
<p>Esta conduta revela, de forma cristalina, que a posse jamais foi exercida com&nbsp;<em>animus domini</em>&nbsp;e com o prop&oacute;sito de dar fun&ccedil;&atilde;o social &agrave; terra. Ao contr&aacute;rio, o autor utilizou os fr&aacute;geis documentos de cess&atilde;o como se fossem t&iacute;tulos ao portador, negociando-os no mercado informal de terras e, simultaneamente, usando-os para ajuizar m&uacute;ltiplas a&ccedil;&otilde;es judiciais numa clara estrat&eacute;gia de especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria.</p>
<p>Ainda que se quisesse, por um esfor&ccedil;o herc&uacute;leo de argumenta&ccedil;&atilde;o, admitir que o autor iniciou uma "nova" posse nas &aacute;reas ora em lit&iacute;gio, o marco inicial desta s&oacute; poderia ser a data&nbsp;<strong>posterior</strong>&nbsp;&agrave; venda de seus direitos a Edison, ou seja, final de 2008. A partir deste ponto, o autor n&atilde;o teria qualquer posse anterior para somar, pois, como dito, a cadeia sucess&oacute;ria foi por ele mesmo rompida com a venda. Sua posse, portanto, come&ccedil;aria do zero. E, tendo sido as a&ccedil;&otilde;es imediatamente contestadas pelos leg&iacute;timos propriet&aacute;rios, esta nova posse j&aacute; nasceu litigiosa, sem o cond&atilde;o de preencher o requisito da pacificidade, o que impede a contagem de qualquer prazo para fins de usucapi&atilde;o.</p>
<p>Em suma, a prova da venda da posse a terceiro confirma o desvio de finalidade do instituto da usucapi&atilde;o, o car&aacute;ter meramente especulativo da posse, a aus&ecirc;ncia de&nbsp;<em>animus domini</em>&nbsp;e a m&aacute;-f&eacute; processual.</p>
<p>Em arremate, &eacute; o entendimento do Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado do Tocantins:</p>
<p>EMENTA:&nbsp;APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL. A&Ccedil;&Atilde;O DE USUCAPI&Atilde;O EXTRAORDIN&Aacute;RIA. REQUISITOS LEGAIS. AUS&Ecirc;NCIA DE COMPROVA&Ccedil;&Atilde;O. &Ocirc;NUS PROBAT&Oacute;RIO DO AUTOR. IMPROCED&Ecirc;NCIA DO PEDIDO. SENTEN&Ccedil;A MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E N&Atilde;O PROVIDO.<br>I. CASO EM EXAME<br>1. Recurso de Apela&ccedil;&atilde;o interposto pelo autor contra senten&ccedil;a que julgou improcedentes os pedidos iniciais, sob o fundamento de que n&atilde;o foram demonstrados os requisitos para a usucapi&atilde;o extraordin&aacute;ria do im&oacute;vel rural denominado Fazenda Catitu.<br>II. QUEST&Atilde;O EM DISCUSS&Atilde;O<br>2. Definir se o conjunto probat&oacute;rio demonstra a posse mansa, pac&iacute;fica, ininterrupta e com animus domini pelo per&iacute;odo exigido em lei para a concess&atilde;o da usucapi&atilde;o extraordin&aacute;ria.<br>III. RAZ&Otilde;ES DE DECIDIR<br>3. Nos termos do art. 1.238 do C&oacute;digo Civil, para a aquisi&ccedil;&atilde;o da propriedade pela usucapi&atilde;o extraordin&aacute;ria, &eacute; indispens&aacute;vel a comprova&ccedil;&atilde;o da posse com animus domini por 15 anos, ou 10 anos caso haja moradia habitual ou realiza&ccedil;&atilde;o de obras de car&aacute;ter produtivo no im&oacute;vel.<br>4. O apelante n&atilde;o se desincumbiu do seu &ocirc;nus probat&oacute;rio (art. 373, I, do CPC), pois as provas apresentadas, incluindo a prova testemunhal, s&atilde;o fr&aacute;geis e insuficientes para comprovar a posse cont&iacute;nua e a cadeia possess&oacute;ria sobre a totalidade da &aacute;rea reivindicada de 178,3656ha.<br>5. A falta de clareza quanto &agrave; extens&atilde;o e aos limites do im&oacute;vel, e o fato de a &aacute;rea estar registrada em nome da r&eacute; desde 1998, sem ind&iacute;cios de abandono, afastam o reconhecimento da prescri&ccedil;&atilde;o aquisitiva.<br>IV. DISPOSITIVO E TESE<br>6. Recurso conhecido e n&atilde;o provido para manter a senten&ccedil;a de improced&ecirc;ncia.<br>Tese de julgamento:&nbsp;"1. Na a&ccedil;&atilde;o de usucapi&atilde;o extraordin&aacute;ria, o autor deve comprovar, de forma inequ&iacute;voca, a posse mansa, pac&iacute;fica, ininterrupta e com animus domini pelo prazo previsto em lei, sendo insuficiente para tal comprova&ccedil;&atilde;o a prova testemunhal isolada, desacompanhada de elementos documentais robustos."<br>Dispositivos relevantes citados:&nbsp;C&oacute;digo Civil, artigo 1.238; C&oacute;digo de Processo Civil, artigo 85, &sect;11, e artigo 373, inciso I.<br>Jurisprud&ecirc;ncia relevante citada:&nbsp;TJTO, Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel, 0000161-65.2023.8.27.2721, Rel. JOAO RIGO GUIMAR&Atilde;ES, julgado em 09/04/2025, juntado aos autos em 11/04/2025 16:34:43.<br><strong>(TJTO , Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel, 0001342-79.2019.8.27.2709, Rel. MARCIO BARCELOS COSTA , julgado em 27/08/2025, juntado aos autos em 04/09/2025 08:35:03)</strong></p>
<p><strong>[...]</strong></p>
<p>DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL. USUCAPI&Atilde;O EXTRAORDIN&Aacute;RIA. ART. 1.238 DO C&Oacute;DIGO CIVIL. REQUISITOS N&Atilde;O ATENDIDOS. AUS&Ecirc;NCIA DE PROVA DE POSSE ININTERRUPTA E PAC&Iacute;FICA PELO PER&Iacute;ODO EXIGIDO. RECURSO CONHECIDO E&nbsp;N&Atilde;O PROVIDO. SENTEN&Ccedil;A MANTIDA.<br>1. A a&ccedil;&atilde;o de usucapi&atilde;o n&atilde;o pode ser concedida, j&aacute; que o autor n&atilde;o cumpriu com os requisitos legais de tempo de posse sem oposi&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea ocupada.<br>2. Insufici&ecirc;ncia de documentos que comprovem a alega&ccedil;&atilde;o do autor de posse mansa, pac&iacute;fica e cont&iacute;nua por mais de 10 (dez) anos.<br>3. N&atilde;o restando comprovada a posse&nbsp;ad usucapionem&nbsp;da integralidade da &aacute;rea objeto da demanda, de forma espec&iacute;fica e exata, ausentes os requisitos m&iacute;nimos necess&aacute;rios para a configura&ccedil;&atilde;o da usucapi&atilde;o pretendida.<br>4. Recurso conhecido e n&atilde;o provido. Senten&ccedil;a mantida.<br><strong>(TJTO , Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel, 0000248-28.2021.8.27.2709, Rel. PEDRO NELSON DE MIRANDA COUTINHO , julgado em 18/09/2024, juntado aos autos em 19/09/2024 18:08:24)</strong></p>
<p>Diante de todo o exposto, conclui-se que os autores n&atilde;o lograram &ecirc;xito em comprovar os fatos constitutivos de seu direito, nos termos do art. 373, I, do C&oacute;digo de Processo Civil. A prova dos autos, em especial a pericial e o depoimento pessoal do pr&oacute;prio autor, n&atilde;o apenas deixa de corroborar a tese inicial, como a refuta veementemente, demonstrando a aus&ecirc;ncia dos requisitos essenciais do lapso temporal e do&nbsp;<em>animus domini</em>, al&eacute;m de apontar para um grave desvirtuamento do instituto da usucapi&atilde;o.</p>
<p><strong>III. DISPOSITIVO</strong></p>
<p>Ante o exposto, e por tudo mais que dos autos consta, com fundamento no art. 487, inciso I, do C&oacute;digo de Processo Civil,&nbsp;<strong>JULGO TOTALMENTE IMPROCEDENTES</strong>&nbsp;os pedidos formulados nos processos conexos de n&ordm;&nbsp;<strong>5000081-84.2008.8.27.2739, 5000456-46.2012.8.27.2739, 5000080-02.2008.8.27.2739 e 5000045-42.2008.8.27.2739</strong>, extinguindo os feitos com resolu&ccedil;&atilde;o de m&eacute;rito.</p>
<p>Em raz&atilde;o da sucumb&ecirc;ncia, condeno a parte autora ao pagamento das custas processuais de cada um dos quatro processos e dos honor&aacute;rios advocat&iacute;cios, que fixo em&nbsp;<strong>10% (dez por cento)</strong>&nbsp;sobre o valor atualizado da causa de cada um dos respectivos feitos, nos termos do art. 85, &sect;2&ordm;, do CPC. A exigibilidade das verbas de sucumb&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; parte autora fica suspensa pelo prazo de 5 (cinco) anos, em raz&atilde;o da gratuidade da justi&ccedil;a que lhe foi deferida, nos termos do art. 98, &sect;3&ordm;, do CPC.</p>
<p>Intimem-se.</p>
<p>Com o tr&acirc;nsito em julgado, arquivem-se os autos.</p>
<p>Cumpra-se.</p>
<p>Novo Acordo, data certificada pelo sistema.</p></section>
<section>
			</section>
<section>
<p>&nbsp;</p>
<hr>
<p>&nbsp;</p></section>
<footer>				
					
				
			</footer></article></body></html>