FONTE ORIGINAL PRESERVADA

DJEN TJRS — Diário de Justiça Eletrônico Nacional (CNJ)

Processo nº 5217189-04.2026.8.21.7000
sigla tribunal:TJRS
tipo comunicacao:Intimação
nome orgao:Secretaria da 19ª Câmara Cível
nome classe:AGRAVO DE INSTRUMENTO
tipo documento:DECISÃO MONOCRÁTICA
data disponibilizacao:04/09/2026
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Integridade verificável
Capturado em:25/09/2026, 05:07
Texto e hash não foram modificados após a captura. Diário oficial é dado público (Lei 12.527/2011 LAI · art. 8º Lei 9.610/1998).

Texto íntegra

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                        </header>
<section><b>Agravo de Instrumento  N&ordm; 5217189-04.2026.8.21.7000/RS</b></section>
<section>                                                                            
                            <div><p><b>TIPO DE A&Ccedil;&Atilde;O: </b>Esbulho / Turba&ccedil;&atilde;o / Amea&ccedil;a</p></div>                                  
			            </section>
<section><b><table><tr><td>RELATOR</td><td>: Desembargador ALEXANDRE FERNANDES GASTAL</td></tr><tr><td>AGRAVANTE</td><td>: EDER SCUSSEL</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: JULIO ANTONIO TEIXEIRA DA SILVA NETO (OAB RS112683)</td></tr><tr><td>AGRAVANTE</td><td>: JESSICA HOFFMANN SILVA</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: JULIO ANTONIO TEIXEIRA DA SILVA NETO (OAB RS112683)</td></tr><tr><td>AGRAVADO</td><td>: SANDRA MARIA COELHO CARDOSO</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: PATRINE JUSTO LUMERTZ (OAB RS121929)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: JAIME MATTOS BERNSTS (OAB RS065193)</td></tr><tr><td>AGRAVADO</td><td>: CESAR ALEXANDRE MELO CARVALHO</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: PATRINE JUSTO LUMERTZ (OAB RS121929)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: JAIME MATTOS BERNSTS (OAB RS065193)</td></tr></table></b></section>
<section>
                                <p align="center">EMENTA</p>
                        </section>
<section>
<p><strong>DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. GRATUIDADE DA JUSTI&Ccedil;A. INDEFERIMENTO. CAPACIDADE ECON&Ocirc;MICA DEMONSTRADA. PEDIDO SUBSIDI&Aacute;RIO DE PARCELAMENTO. RECOLHIMENTO VOLUNT&Aacute;RIO DAS CUSTAS. PRECLUS&Atilde;O L&Oacute;GICA. RECURSO DESPROVIDO.</strong></p>
<p><strong>I. CASO EM EXAME:</strong><br>1. AGRAVO DE INSTRUMENTO INTERPOSTO CONTRA DECIS&Atilde;O QUE INDEFERIU O BENEF&Iacute;CIO DA GRATUIDADE JUDICI&Aacute;RIA EM A&Ccedil;&Atilde;O DE EMBARGOS DE TERCEIRO CUMULADA COM PEDIDO DE MANUTEN&Ccedil;&Atilde;O DE POSSE, COM BASE NA MOVIMENTA&Ccedil;&Atilde;O BANC&Aacute;RIA E NA LOCALIZA&Ccedil;&Atilde;O DO IM&Oacute;VEL OBJETO DA LIDE.</p>
<p><strong>II. QUEST&Atilde;O EM DISCUSS&Atilde;O:</strong><br>1. H&Aacute; DUAS QUEST&Otilde;ES EM DISCUSS&Atilde;O: (I) SE OS ELEMENTOS PROBAT&Oacute;RIOS DOS AUTOS AFASTAM A PRESUN&Ccedil;&Atilde;O DE HIPOSSUFICI&Ecirc;NCIA DOS AGRAVANTES PARA FINS DE CONCESS&Atilde;O DA GRATUIDADE JUDICI&Aacute;RIA; (II) SE &Eacute; CAB&Iacute;VEL O PARCELAMENTO DAS CUSTAS PROCESSUAIS NA FORMA DO ART. 98, &sect; 6&ordm;, DO CPC.</p>
<p><strong>III. RAZ&Otilde;ES DE DECIDIR:</strong><br>1. A PRESUN&Ccedil;&Atilde;O DE VERACIDADE DA DECLARA&Ccedil;&Atilde;O DE HIPOSSUFICI&Ecirc;NCIA &Eacute; RELATIVA E CEDE DIANTE DE ELEMENTOS CONCRETOS QUE DEMONSTREM CAPACIDADE ECON&Ocirc;MICA, CONFORME O ART. 99, &sect; 2&ordm;, DO CPC.<br>2. A AN&Aacute;LISE CONJUNTA DA RENDA ANUAL DE APROXIMADAMENTE CEM MIL REAIS, DA MOVIMENTA&Ccedil;&Atilde;O BANC&Aacute;RIA SUPERIOR A QUARENTA E TR&Ecirc;S MIL REAIS EM TR&Ecirc;S MESES, DA PROPRIEDADE DE DOIS VE&Iacute;CULOS E DE IM&Oacute;VEL EM S&Atilde;O FRANCISCO DE PAULA, AL&Eacute;M DA AQUISI&Ccedil;&Atilde;O E REALIZA&Ccedil;&Atilde;O DE INVESTIMENTOS EM IM&Oacute;VEL NA PRAIA EM TORRES, AFASTA A ALEGA&Ccedil;&Atilde;O DE VULNERABILIDADE FINANCEIRA.<br>3. O PEDIDO SUBSIDI&Aacute;RIO DE PARCELAMENTO DAS CUSTAS &Eacute; INCOMPAT&Iacute;VEL COM O RECOLHIMENTO VOLUNT&Aacute;RIO E INTEGRAL DA TAXA &Uacute;NICA PELOS AGRAVANTES NO CURSO DO RECURSO, FATO SUPERVENIENTE QUE COMPROVA LIQUIDEZ FINANCEIRA SUFICIENTE PARA SUPORTAR A DESPESA, NOS TERMOS DO ART. 493 DO CPC.<br>4. O RECOLHIMENTO ESPONT&Acirc;NEO DAS CUSTAS PROCESSUAIS CONSTITUI ATO INCOMPAT&Iacute;VEL COM A ALEGA&Ccedil;&Atilde;O DE INSUFICI&Ecirc;NCIA DE RECURSOS, OPERANDO-SE A PRECLUS&Atilde;O L&Oacute;GICA DO DIREITO DE PLEITEAR O BENEF&Iacute;CIO, EM OBSERV&Acirc;NCIA AO PRINC&Iacute;PIO DA BOA-F&Eacute; OBJETIVA PREVISTO NO ART. 5&ordm; DO CPC.</p>
<p><strong>IV. DISPOSITIVO E TESE:</strong><br>1. RECURSO DESPROVIDO. DECIS&Atilde;O DE INDEFERIMENTO DA GRATUIDADE JUDICI&Aacute;RIA MANTIDA.<br><em>TESE DE JULGAMENTO:</em> 1. A PRESUN&Ccedil;&Atilde;O DE HIPOSSUFICI&Ecirc;NCIA &Eacute; AFASTADA QUANDO OS ELEMENTOS PROBAT&Oacute;RIOS DOS AUTOS REVELAM RENDA, MOVIMENTA&Ccedil;&Atilde;O FINANCEIRA E PATRIM&Ocirc;NIO INCOMPAT&Iacute;VEIS COM A CONDI&Ccedil;&Atilde;O DE MISERABILIDADE JUR&Iacute;DICA. 2. O RECOLHIMENTO VOLUNT&Aacute;RIO DAS CUSTAS PROCESSUAIS CONSTITUI ATO INCOMPAT&Iacute;VEL COM A ALEGA&Ccedil;&Atilde;O DE INSUFICI&Ecirc;NCIA DE RECURSOS, OPERANDO-SE A PRECLUS&Atilde;O L&Oacute;GICA DO DIREITO DE PLEITEAR A GRATUIDADE JUDICI&Aacute;RIA.</p>
<p>___________<br><em>DISPOSITIVOS RELEVANTES CITADOS:</em> CPC/2015, ARTS. 5&ordm;, 98, &sect; 6&ordm;, 99, &sect; 2&ordm;, E 493.<br><em>JURISPRUD&Ecirc;NCIA RELEVANTE CITADA:</em> STJ, S&Uacute;MULA 568; TJRS, AGRAVO DE INSTRUMENTO N&ordm; 53849976820258217000, D&Eacute;CIMA NONA C&Acirc;MARA C&Iacute;VEL, REL. SERGIO FUSQUINE GONCALVES, J. 14-01-2026.</p></section>
<section>
                                <p align="center">DECIS&Atilde;O MONOCR&Aacute;TICA</p>
                        </section>
<section>
<p><span>JESSICA HOFFMANN SILVA</span>&nbsp;e&nbsp;<span>EDER SCUSSEL</span>&nbsp;interp&otilde;em agravo de instrumento contra decis&atilde;o interlocut&oacute;ria que, nos autos da a&ccedil;&atilde;o de&nbsp;embargos de terceiro c/c pedido de manuten&ccedil;&atilde;o de posse em que contendem com&nbsp;<span>CESAR ALEXANDRE MELO CARVALHO</span>&nbsp;e&nbsp;<span>SANDRA MARIA COELHO CARDOSO</span>, indeferiu o benef&iacute;cio da gratuidade judici&aacute;ria. A decis&atilde;o agravada restou lavrada nos seguintes termos (ev.&nbsp;<span>11.1</span>):</p>
<p>Da an&aacute;lise do extrato banc&aacute;rio do embargante Eder anexado&nbsp;<span>evento 9, EXTR1</span>, conclui-se&nbsp;que a parte autora (um casal) n&atilde;o sofrer&aacute; preju&iacute;zo ao seu pr&oacute;prio sustento,&nbsp;uma vez que nesse extrato, que compreende&nbsp;<u>apenas</u>&nbsp;os meses de novembro e dezembro de 2025 e janeiro de 2026, entrou em sua conta banc&aacute;ria o valor de R$43.546,19, montante que&nbsp;divididos pelos meses do ano &eacute; superior aos 5 (cinco) sal&aacute;rios&nbsp;brutos adotados&nbsp;como par&acirc;metro&nbsp;m&aacute;ximo para a concess&atilde;o do benef&iacute;cio, sem maiores perquiri&ccedil;&otilde;es, nos termos do Enunciado n.&ordm; 49&nbsp;do Centro de Estudos do TJRS. Ademais, observa-se que os autores indicaram como endere&ccedil;o o munic&iacute;pio de S&atilde;o Franscisco de Paula; logo, o terreno, objeto desta a&ccedil;&atilde;o, trata-se de im&oacute;vel localizado na praia, de modo que as partes n&atilde;o podem alegar hipossufici&ecirc;ncia econ&ocirc;mica.</p>
<p>Assim, indefiro&nbsp;o pedido de&nbsp;gratuidade judici&aacute;ria, devendo a parte autora providenciar&nbsp;o recolhimento da Taxa &Uacute;nica, sob pena do&nbsp; cancelamento da distribui&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>Em suas raz&otilde;es recursais (ev.<span>1.1</span>), os agravantes sustentam, em s&iacute;ntese,&nbsp;(i) que a declara&ccedil;&atilde;o de hipossufici&ecirc;ncia de pessoa natural goza de presun&ccedil;&atilde;o relativa de veracidade, nos termos do art. 99, &sect; 3&deg;, do CPC, cabendo a quem a impugna apontar elementos concretos que a infirmem; (ii) que a decis&atilde;o agravada incorreu em equ&iacute;voco metodol&oacute;gico ao equiparar movimenta&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria a renda, uma vez que cr&eacute;ditos em conta corrente comportam natureza heterog&ecirc;nea, incluindo transfer&ecirc;ncias e valores que apenas transitam sem gerar acr&eacute;scimo patrimonial, sendo indicativo disso o saldo final de R$ 3.676,60 na conta de Eder e de R$ 8,62 na conta de Jessica; e (iii) que a localiza&ccedil;&atilde;o do im&oacute;vel em &aacute;rea litor&acirc;nea n&atilde;o constitui, por si s&oacute;, indicador de capacidade econ&ocirc;mica, tratando-se da moradia da fam&iacute;lia, adquirida com esfor&ccedil;o pr&oacute;prio, sendo inadequado utiliz&aacute;-la como fundamento para negar o acesso &agrave; justi&ccedil;a. Requerem o provimento do recurso para concess&atilde;o integral da gratuidade judici&aacute;ria ou, subsidiariamente, a concess&atilde;o de gratuidade parcial ou o parcelamento das custas, na forma do art. 98, &sect;&sect; 5&deg; e 6&deg;, do CPC.</p>
<p>No ev.&nbsp;<span>5.1</span>, recebi o recurso e intimei a agravada para contrarraz&otilde;es.&nbsp;</p>
<p>Em contrarraz&otilde;es (ev.&nbsp;<span>11.1</span>), os agravados sustentam&nbsp;(i) que a presun&ccedil;&atilde;o de hipossufici&ecirc;ncia foi regularmente afastada por elementos concretos constantes dos pr&oacute;prios autos, ap&oacute;s o ju&iacute;zo de origem ter concedido oportunidade expressa para complementa&ccedil;&atilde;o probat&oacute;ria, observando-se rigorosamente o art. 99, &sect; 2&deg;, do CPC; (ii) que a an&aacute;lise da capacidade econ&ocirc;mica deve considerar a realidade global da parte, destacando que o extrato banc&aacute;rio de Eder registrou ingressos de R$ 43.546,19 em aproximadamente tr&ecirc;s meses, que a declara&ccedil;&atilde;o de IRPF aponta rendimentos tribut&aacute;veis de R$ 78.531,21 no exerc&iacute;cio de 2025, al&eacute;m de patrim&ocirc;nio declarado de R$ 175.355,02, com dois ve&iacute;culos e im&oacute;vel registrado em S&atilde;o Francisco de Paula, e expressiva evolu&ccedil;&atilde;o patrimonial nos &uacute;ltimos exerc&iacute;cios; e (iii) que constitui fato superveniente relevante, nos termos dos arts. 493 e 933 do CPC, o recolhimento integral da Taxa &Uacute;nica no valor de R$ 369,50 em 07/08/2026, o que refor&ccedil;a a conclus&atilde;o de inexist&ecirc;ncia de incapacidade financeira, tornando igualmente sem fundamento o pedido subsidi&aacute;rio de parcelamento. Requerem o desprovimento do agravo de instrumento, com a manuten&ccedil;&atilde;o integral da decis&atilde;o que indeferiu a gratuidade judici&aacute;ria, e a rejei&ccedil;&atilde;o do pedido subsidi&aacute;rio.</p>
<p>Vieram-me os autos conclusos para julgamento.&nbsp;</p>
<p><strong>&Eacute; o relat&oacute;rio.&nbsp;</strong></p>
<p><strong>Decido.</strong></p>
<p>Satisfeitos os requisitos de admissibilidade, recebo o recurso e o decido monocraticamente, a teor do disposto nos artigos 932 do CPC e 206, XXXVI, do Regimento Interno deste Tribunal de Justi&ccedil;a, al&eacute;m do Enunciado da S&uacute;mula 568 do egr&eacute;gio STJ.</p>
<p>O ju&iacute;zo de origem, de forma pr&eacute;via e adequada, oportunizou aos agravantes a comprova&ccedil;&atilde;o da alegada hipossufici&ecirc;ncia por meio da juntada de documentos. Diante disso, os agravantes apresentaram suas declara&ccedil;&otilde;es de imposto de renda e extratos banc&aacute;rios.</p>
<p>Ao analisar o perfil econ&ocirc;mico e patrimonial dos recorrentes, constata-se que a alega&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade financeira n&atilde;o encontra amparo na realidade dos autos.</p>
<p>Em primeiro lugar, o exame da renda anual do agravante <span>Eder Scussel</span> revela uma situa&ccedil;&atilde;o financeira s&oacute;lida. De acordo com a declara&ccedil;&atilde;o de ajuste anual do imposto de renda de pessoa f&iacute;sica referente ao exerc&iacute;cio de 2025, o recorrente auferiu rendimentos tribut&aacute;veis no valor de R$ 78.531,21. Al&eacute;m disso, a mesma declara&ccedil;&atilde;o registra o recebimento de R$ 9.791,69 a t&iacute;tulo de rendimentos isentos e n&atilde;o tribut&aacute;veis, bem como R$ 12.477,85 em rendimentos sujeitos &agrave; tributa&ccedil;&atilde;o exclusiva. A soma dessas import&acirc;ncias totaliza R$ 100.800,75 anuais, o que resulta em uma m&eacute;dia mensal superior a R$ 8.400,00, patamar que ultrapassa os crit&eacute;rios usuais de vulnerabilidade social e econ&ocirc;mica.</p>
<p>Em segundo lugar, a movimenta&ccedil;&atilde;o financeira apurada nos extratos banc&aacute;rios do recorrente Eder demonstra expressivo fluxo de recursos. No per&iacute;odo que compreende os meses de novembro de 2025, dezembro de 2025 e janeiro de 2026, houve o ingresso total de R$ 43.546,19 em sua conta corrente, o que representa m&eacute;dia de ingressos de R$ 14.515,39 por m&ecirc;s (ev. <span>9.1</span>). Embora a defesa sustente que a movimenta&ccedil;&atilde;o financeira n&atilde;o se confunde com renda l&iacute;quida, os extratos evidenciam pagamentos de consider&aacute;vel valor, como faturas de cart&atilde;o de cr&eacute;dito que superam R$ 2.100,00 e recebimento de transfer&ecirc;ncias eletr&ocirc;nicas via PIX no valor isolado de R$ 5.972,00 em janeiro de 2026. Esse padr&atilde;o de gastos e de recebimentos &eacute; incompat&iacute;vel com a alega&ccedil;&atilde;o de impossibilidade de pagamento das despesas judiciais.</p>
<p>Em terceiro lugar, o patrim&ocirc;nio declarado pelo casal refor&ccedil;a a sua estabilidade econ&ocirc;mica. O recorrente Eder informou &agrave; Receita Federal a propriedade de bens e direitos que somavam R$ 175.355,02, contra obriga&ccedil;&otilde;es financeiras de apenas R$ 22.236,03 (ev. <span>9.2</span>). Esse patrim&ocirc;nio apresentou expressivo crescimento nos &uacute;ltimos anos, saltando de R$ 102.239,24 em 2022 para R$ 144.993,78 em 2023, e finalmente atingindo R$ 175.355,02 em 2024, conforme os documentos do evento 9 dos autos origin&aacute;rios evidenciam.</p>
<p>Entre os bens que comp&otilde;em esse acervo patrimonial, conforme as declara&ccedil;&otilde;es de IRPF, destaca-se a propriedade de um im&oacute;vel urbano composto por terreno e casa situado na Rua Gilberto de Zorzi, n&uacute;mero 100, no Munic&iacute;pio de S&atilde;o Francisco de Paula/RS, matriculado sob o n&uacute;mero 18.048. Ademais, os recorrentes possuem dois ve&iacute;culos de valor significativo: um Hyundai HB20, avaliado em R$ 35.440,02, e um Honda HR-V, com valor de R$ 82.478,50.</p>
<p>Adicionalmente, os agravantes adquiriram direitos possess&oacute;rios sobre um segundo im&oacute;vel situado na praia, no Munic&iacute;pio de Torres/RS, que &eacute; o im&oacute;vel objeto da lide. Na peti&ccedil;&atilde;o inicial dos embargos de terceiro, os pr&oacute;prios recorrentes declararam ter realizado investimentos substanciais nessa propriedade, incluindo reformas estruturais, amplia&ccedil;&atilde;o da casa de madeira, aterramento do lote, instala&ccedil;&otilde;es de infraestrutura de &aacute;gua, luz e esgoto, al&eacute;m de pintura e sistema de monitoramento por alarme. A realiza&ccedil;&atilde;o de investimentos nesse segundo im&oacute;vel pressup&otilde;e a exist&ecirc;ncia de recursos excedentes, o que afasta a alega&ccedil;&atilde;o de incapacidade financeira.</p>
<p>Quanto &agrave; recorrente Jessica, embora seja isenta de apresenta&ccedil;&atilde;o de declara&ccedil;&atilde;o de imposto de renda, os autos revelam que ela figura como pagadora em opera&ccedil;&otilde;es vinculadas ao seu CPF e ao CNPJ n&uacute;mero 48.438.875/0001-04, o que aponta para a exist&ecirc;ncia de atividade econ&ocirc;mica ou comercial que lhe gera rendimentos n&atilde;o declarados.</p>
<p>Desse modo, conclui-se que n&atilde;o restou provada a vulnerabilidade financeira do casal.</p>
<p>Por fim, cumpre apreciar o pedido subsidi&aacute;rio de parcelamento das custas processuais, formulado com fulcro no artigo 98, par&aacute;grafo 6&ordm;, do C&oacute;digo de Processo Civil.</p>
<p>O parcelamento das custas judiciais constitui medida excepcional, voltada a socorrer a parte que, embora n&atilde;o se enquadre na condi&ccedil;&atilde;o de miserabilidade jur&iacute;dica, demonstre dificuldade moment&acirc;nea ou extraordin&aacute;ria para efetuar o pagamento integral do encargo.</p>
<p>No caso sob exame, os recorrentes n&atilde;o apresentaram nenhuma comprova&ccedil;&atilde;o de dificuldade circunstancial que impedisse o adiantamento das despesas iniciais do processo. Conv&eacute;m destacar que as custas de distribui&ccedil;&atilde;o dos embargos de terceiro possuem valor m&oacute;dico, uma vez que a causa foi distribu&iacute;da sob o valor de al&ccedil;ada, fixando-se a Taxa &Uacute;nica no montante de R$ 369,50.</p>
<p>Ademais, ocorreu fato superveniente &agrave; interposi&ccedil;&atilde;o deste recurso, consistente no recolhimento volunt&aacute;rio e integral da mencionada Taxa &Uacute;nica de R$ 369,50 pelos agravantes em 07/08/2026, conforme a consulta ao sistema eproc evidencia:</p>
<p></p>
<p>Nos termos do artigo 493 do C&oacute;digo de Processo Civil, o julgador deve considerar os fatos novos que possam influenciar no julgamento do m&eacute;rito.</p>
<p>O adimplemento integral da taxa judici&aacute;ria comprova que os recorrentes possuem liquidez e capacidade financeira para suportar as despesas processuais sem preju&iacute;zo &agrave; sua subsist&ecirc;ncia nem &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o de sua fam&iacute;lia.</p>
<p>Desse modo, o pedido subsidi&aacute;rio de parcelamento tamb&eacute;m deve ser rejeitado.</p>
<p>O recolhimento espont&acirc;neo de custas processuais de distribui&ccedil;&atilde;o, concomitante ao pedido de gratuidade, constitui conduta incompat&iacute;vel com a alega&ccedil;&atilde;o de insufici&ecirc;ncia de recursos.</p>
<p>Nesse sentido &eacute; o entendimento desta C&acirc;mara:&nbsp;</p>
<p>DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO.&nbsp;<em>GRATUIDADE</em>&nbsp;DA JUSTI&Ccedil;A. PRECLUS&Atilde;O L&Oacute;GICA.&nbsp;<em>PAGAMENTO</em>&nbsp;VOLUNT&Aacute;RIO DAS&nbsp;<em>CUSTAS</em>. RECURSO CONHECIDO EM PARTE E, NESTA, DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME:1. Agravo de instrumento interposto contra decis&atilde;o que indeferiu o&nbsp;<em>pedido</em>&nbsp;de altera&ccedil;&atilde;o do polo ativo, rejeitou os embargos de declara&ccedil;&atilde;o opostos e manteve o indeferimento do benef&iacute;cio da&nbsp;<em>gratuidade</em>&nbsp;da justi&ccedil;a em a&ccedil;&atilde;o de cobran&ccedil;a cumulada com&nbsp;<em>pedido</em>&nbsp;de indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais e materiais. II. QUEST&Atilde;O EM DISCUSS&Atilde;O:1. H&aacute; duas quest&otilde;es em discuss&atilde;o: (i) a possibilidade de altera&ccedil;&atilde;o do polo ativo para que a pessoa f&iacute;sica suceda a pessoa jur&iacute;dica no curso do processo; (ii) o direito da agravante ao benef&iacute;cio da&nbsp;<em>gratuidade</em>&nbsp;da justi&ccedil;a, considerando os argumentos e documentos apresentados. III. RAZ&Otilde;ES DE DECIDIR:1. O recurso n&atilde;o deve ser conhecido quanto ao&nbsp;<em>pedido</em>&nbsp;de altera&ccedil;&atilde;o do polo ativo, pois a decis&atilde;o que mant&eacute;m a pessoa jur&iacute;dica como parte n&atilde;o se enquadra nas hip&oacute;teses do art. 1.015 do CPC, nem apresenta urg&ecirc;ncia que justifique a recorribilidade imediata conforme o Tema Repetitivo 988 do STJ.2. O&nbsp;<em>pagamento</em>&nbsp;volunt&aacute;rio das&nbsp;<em>custas</em>&nbsp;processuais no valor de R$ 4.520,30, realizado pela agravante para evitar a extin&ccedil;&atilde;o do processo, constitui&nbsp;<em>ato</em>&nbsp;incompat&iacute;vel com a alega&ccedil;&atilde;o de hipossufici&ecirc;ncia econ&ocirc;mica.3. A conduta da agravante, ao efetuar o recolhimento integral das&nbsp;<em>custas</em>, demonstra de forma inequ&iacute;voca capacidade financeira para arcar com os encargos do processo, operando-se a preclus&atilde;o l&oacute;gica do direito de pleitear o benef&iacute;cio.4. O princ&iacute;pio da boa-f&eacute; objetiva, consagrado no art. 5&ordm; do CPC, veda o comportamento contradit&oacute;rio (venire contra factum proprium), impedindo que a parte, ap&oacute;s adotar determinada conduta, pratique&nbsp;<em>ato</em>&nbsp;posterior que&nbsp;<em>contrarie</em>&nbsp;a postura inicialmente assumida.5. A alega&ccedil;&atilde;o de que os recursos foram obtidos por meio de empr&eacute;stimo de familiares n&atilde;o descaracteriza a natureza do&nbsp;<em>ato</em>&nbsp;praticado, pois a capacidade de mobilizar recursos financeiros afasta a presun&ccedil;&atilde;o de miserabilidade jur&iacute;dica. IV. DISPOSITIVO E TESE:1. Recurso conhecido em parte e, nesta, desprovido.Tese de julgamento: 1. <strong>O&nbsp;<em>pagamento</em>&nbsp;volunt&aacute;rio das&nbsp;<em>custas</em>&nbsp;processuais constitui&nbsp;<em>ato</em>&nbsp;incompat&iacute;vel com a alega&ccedil;&atilde;o de hipossufici&ecirc;ncia econ&ocirc;mica, operando-se a preclus&atilde;o l&oacute;gica do direito de pleitear o benef&iacute;cio da&nbsp;<em>gratuidade</em>&nbsp;da justi&ccedil;a. </strong>Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5&ordm;, LXXIV; CPC/2015, arts. 5&ordm;, 98, &sect;5&ordm;, 1.015, V, 932, VIII.Jurisprud&ecirc;ncia relevante citada: STJ, Tema Repetitivo 988; STJ, S&uacute;mula 568; Agravo de Instrumento, N&ordm; 50790440220258217000, D&eacute;cima Quinta C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Roberto Jos&eacute; Ludwig, Julgado em: 27-08-2025; Agravo de Instrumento, N&ordm; 53383951920258217000, Vig&eacute;sima Quarta C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Fernando Flores Cabral Junior, Julgado em: 05-11-2025. (Agravo de Instrumento, N&ordm; 53849976820258217000, D&eacute;cima Nona C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Sergio Fusquine Goncalves, Julgado em: 14-01-2026) Grifei</p>
<p>Ante o exposto,&nbsp;<strong>nego&nbsp;provimento&nbsp;ao agravo de instrumento,&nbsp;</strong>mantendo a decis&atilde;o do ju&iacute;zo de origem.&nbsp;</p>
<p>Intimem-se.</p></section>
<section>
                        </section>
<section>
<p>&nbsp;</p>
<hr>
<p>&nbsp;</p></section>
<footer>                                
                                        
                                
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